De frente para a janela
Em pé, no ônibus, voltando pra casa
Vejo a minha imagem se misturar
Com a estrada que corre lá fora
E estranho o reflexo que me encara...
No rosto fino e jovem
Sem vaidade nem muita expressão
Franze sobrancelhas sobre olhos miúdos
Eles me observam como quem pergunta:
Te conheço mesmo? Já te vi?
[É engraçado como deixamos
Que rostos estranhos
Se tornem mais familiares
que o nosso
próprio...]
E sem surpresa nem contentamento
Atravesso meu reflexo em reflexões
Enquanto planejo mais um dever de casa:
Preciso me conhecer melhor.
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Desenho: Releitura de Magrite por Kelly Santos |